A Madeira é reconhecida pela qualidade de vida que oferece, em especial nos aspetos ambientais: temperaturas amenas, paisagens arrebatadoras, a Natureza esplendorosa. Mas a qualidade de vida faz-se de muito outros fatores, a existência e a qualidade do emprego, as condições das habitações, o custo dos transportes, a disponibilidade de serviços de saúde e educação. E se o Sol ainda nasce para todos, nos demais aspetos há diferenças inaceitáveis na qualidade de vida entre os madeirenses.
O desenvolvimento tão apregoado dos últimos anos serviu para melhorar as perspetivas de futuro dos madeirenses? As vias rápidas e os túneis estão aí para serem usados, mas não dão sustento a ninguém e para quem tem de emigrar, são de pouco consolo.
Há cada vez menos crianças – desde 2012 perderam-se 7.000 alunos – sinal claro das poucas perspetivas de futuro que a Madeira dá aos seus filhos e que as políticas seguidas nos últimos anos foram erradas. Não há empregos, os poucos que há são de fracos, mal pagos, não permitem pagar uma casa, muito menos constituir família.
O PSD insiste nas velhas políticas: obras públicas de utilidade discutível, que alimentam a fortuna dos donos da Madeira e cavam nova dívida para o povo pagar. Privilégios renovados aos empresários de sempre, nos portos e ligações marítimas ou na Zona Franca, pobreza e desemprego para a maioria.
O objetivo da Política, da governação, deveria ser melhorar as condições de vida – a felicidade - para todas as pessoas e não só para algumas. Os países que apresentam maiores índices de felicidade são os que têm menor desigualdade na distribuição da riqueza e melhores serviços públicos, como a saúde, a educação, ou os transportes. O clima não é um fator determinante, os países do norte da Europa até têm clima pouco convidativo.
Os países mais pobres do mundo, por seu lado, são os mais desiguais, com uma elite milionária e poderosa e a maioria condenada à miséria.
São as escolhas coletivas que fazemos que determinam a nossa qualidade de vida. É a forma como nos organizamos em sociedade, que determina a capacidade de nos realizarmos nos planos profissional e pessoal, de sermos felizes.
Cabe-nos decidir que tipo de sociedade queremos: ou uma menos desigual, com saúde, educação e riqueza para todos; ou uma em que alguns concentram a riqueza e o poder e a maioria é fica condenada à pobreza e à emigração.
(publicado em dnoticias.pt em 29/09/2018)
2018-09-30
2018-08-23
Desparasitar a Madeira
O estado da Região, depois de 40 anos de Autonomia e de governos PSD é de acentuada parasitose. Tudo o que mexe é controlado por uma seita de parasitas que não permite que nasça algo de novo fora do seu controlo apertado.
Um contentor de Leixões para a Madeira pode custar três vezes mais que para a China! No ferry uma carga de Portimão para o Funchal pode custar sete vezes mais que ao contrário – temos o mar inclinado. Também de avião pode custar mais vir à Madeira de Lisboa que ir à China. Mas se neste caso o Governo Regional vê prejuízos para a Região, no anterior está-se bem, é o dono da Madeira a faturar e há que respeitar o dono.
As concessões na gestão da Zona Franca, nas vias rápidas, nas inspeções automóveis, nos portos servem para alimentar interesses parasitas e carear a vida ao povo. A saúde e a educação são privatizadas aos bocadinhos: a lavandaria do hospital, as cantinas escolares, os apoios aos colégios, os exames de diagnóstico.
Na área social proliferam associações e IPSS para dar emprego a ex-governantes, consomem recursos públicos quanto ao combate à pobreza fica-se pelas intenções.
Não chegamos a esta situação por acaso, Jardim assumiu que quis criar uma burguesia mais esclarecida, uma nova classe de ricos que o ajudassem a manter o poder, não foi ingénuo nem distraído, foi o mentor, a cabeça do polvo. Através de empreitadas e concessões fez crescer os novos ricos na dependência do poder laranja, mas estes cresceram tanto que já não dependem de quem os criou e sentem-se livres para escolher quem melhor os pode alimentar no futuro.
O PSD acusa a “dor de corno”, ao ver os grupos que alimentou apostarem agora noutro “cavalo”. Poderia servir de lição, mas o deslumbramento pelo poder de quem por ele anseia há dezenas de anos faz-se acompanhar de cegueira. Para quem se apresenta como a alternativa, o interesse dos poderosos conta mais que o bem geral, é assim quando conta o poder pelo poder e não o bem comum.
Os ricos querem tudo, o povo apenas quer sobreviver. Na Madeira o povo para poder sobreviver na sua terra, para escapar à sina da emigração tem de livrar-se desta praga de parasitas e o Bloco de Esquerda é o melhor cura para a maleita, para defender o interesse público sem transigir e combater os parasitas.
(publicado em dnoticias.pt em 22/08/2018)
Um contentor de Leixões para a Madeira pode custar três vezes mais que para a China! No ferry uma carga de Portimão para o Funchal pode custar sete vezes mais que ao contrário – temos o mar inclinado. Também de avião pode custar mais vir à Madeira de Lisboa que ir à China. Mas se neste caso o Governo Regional vê prejuízos para a Região, no anterior está-se bem, é o dono da Madeira a faturar e há que respeitar o dono.
As concessões na gestão da Zona Franca, nas vias rápidas, nas inspeções automóveis, nos portos servem para alimentar interesses parasitas e carear a vida ao povo. A saúde e a educação são privatizadas aos bocadinhos: a lavandaria do hospital, as cantinas escolares, os apoios aos colégios, os exames de diagnóstico.
Na área social proliferam associações e IPSS para dar emprego a ex-governantes, consomem recursos públicos quanto ao combate à pobreza fica-se pelas intenções.
Não chegamos a esta situação por acaso, Jardim assumiu que quis criar uma burguesia mais esclarecida, uma nova classe de ricos que o ajudassem a manter o poder, não foi ingénuo nem distraído, foi o mentor, a cabeça do polvo. Através de empreitadas e concessões fez crescer os novos ricos na dependência do poder laranja, mas estes cresceram tanto que já não dependem de quem os criou e sentem-se livres para escolher quem melhor os pode alimentar no futuro.
O PSD acusa a “dor de corno”, ao ver os grupos que alimentou apostarem agora noutro “cavalo”. Poderia servir de lição, mas o deslumbramento pelo poder de quem por ele anseia há dezenas de anos faz-se acompanhar de cegueira. Para quem se apresenta como a alternativa, o interesse dos poderosos conta mais que o bem geral, é assim quando conta o poder pelo poder e não o bem comum.
Os ricos querem tudo, o povo apenas quer sobreviver. Na Madeira o povo para poder sobreviver na sua terra, para escapar à sina da emigração tem de livrar-se desta praga de parasitas e o Bloco de Esquerda é o melhor cura para a maleita, para defender o interesse público sem transigir e combater os parasitas.
(publicado em dnoticias.pt em 22/08/2018)
2018-06-26
Cumprir a Esperança
O Bloco de Esquerda - Madeira é a garantia que não vai ficar tudo na mesma
A Autonomia trouxe o desenvolvimento e fez pensar que a pobreza, desemprego e emigração eram coisas do passado, mas depois da bancarrota da Madeira voltaram a ser a realidade de muitas famílias. As obras fizeram muita vista, mas não dão sustento, enriqueceram os “donos da Madeira”, mas deixaram uma dívida para o povo pagar e por muitos anos. Os donos da Madeira, continuam a dominar o governo regional e também alguma oposição para manterem os seus interesses protegidos, apesar do voto popular.
O principal problema da Região é a subserviência do governo aos interesses privados, não reconhecer isto é não querer mudar senão as moscas. As concessões de serviços públicos – portos, transportes, vias rápidas, inspeções - servem apenas para a engorda dos lóbis e encarecem o custo de vida para o povo.
Quem se encosta aos lóbis não vai incomodar os interesses instalados. Não basta anunciar que queremos fazer mais e melhor em relação a todas a áreas da governação, convém esclarecer em concreto o que vamos fazer.
O Bloco, a bem da clareza, não esconde o jogo. Quer escola, saúde, a segurança social públicas e de qualidade para todos. Vai usar toda a força que tiver para terminar as concessões e fazer voltar ao setor público a gestão dos portos e aeroportos, das ligações inter-ilhas, das inspeções automóveis e das vias rápidas. Não vai aceitar novas concessões ou privatizações da água, eletricidade ou transportes públicos.
Os investimentos e os benefícios fiscais devem ser canalizados para criar empregos de qualidade e duradouros, para os nossos jovens não terem de emigrar. As atividades da ciência, tecnologia e comunicações fundamentais para reter emprego qualificado e exportar serviços e são adequadas a uma região insular. Se os privados não investem, a Região tem de assumir a responsabilidade pelo nosso desenvolvimento. Mas não basta a gestão ser pública, tem de ser rigorosa e transparente, escrutinada pelo público em geral e não capturada pelos interesses partidários.
O Bloco de esquerda apresenta-se como a força para cumprir a esperança numa vida melhor para o povo madeirense, para livrar-se da submissão aos velhos e aos novos senhorios.
(publicado em dnoticias.pt em 25/06/2018)
A Autonomia trouxe o desenvolvimento e fez pensar que a pobreza, desemprego e emigração eram coisas do passado, mas depois da bancarrota da Madeira voltaram a ser a realidade de muitas famílias. As obras fizeram muita vista, mas não dão sustento, enriqueceram os “donos da Madeira”, mas deixaram uma dívida para o povo pagar e por muitos anos. Os donos da Madeira, continuam a dominar o governo regional e também alguma oposição para manterem os seus interesses protegidos, apesar do voto popular.
O principal problema da Região é a subserviência do governo aos interesses privados, não reconhecer isto é não querer mudar senão as moscas. As concessões de serviços públicos – portos, transportes, vias rápidas, inspeções - servem apenas para a engorda dos lóbis e encarecem o custo de vida para o povo.
Quem se encosta aos lóbis não vai incomodar os interesses instalados. Não basta anunciar que queremos fazer mais e melhor em relação a todas a áreas da governação, convém esclarecer em concreto o que vamos fazer.
O Bloco, a bem da clareza, não esconde o jogo. Quer escola, saúde, a segurança social públicas e de qualidade para todos. Vai usar toda a força que tiver para terminar as concessões e fazer voltar ao setor público a gestão dos portos e aeroportos, das ligações inter-ilhas, das inspeções automóveis e das vias rápidas. Não vai aceitar novas concessões ou privatizações da água, eletricidade ou transportes públicos.
Os investimentos e os benefícios fiscais devem ser canalizados para criar empregos de qualidade e duradouros, para os nossos jovens não terem de emigrar. As atividades da ciência, tecnologia e comunicações fundamentais para reter emprego qualificado e exportar serviços e são adequadas a uma região insular. Se os privados não investem, a Região tem de assumir a responsabilidade pelo nosso desenvolvimento. Mas não basta a gestão ser pública, tem de ser rigorosa e transparente, escrutinada pelo público em geral e não capturada pelos interesses partidários.
O Bloco de esquerda apresenta-se como a força para cumprir a esperança numa vida melhor para o povo madeirense, para livrar-se da submissão aos velhos e aos novos senhorios.
(publicado em dnoticias.pt em 25/06/2018)
2018-05-25
Abril antecipado, abril adiado
Abril foi antecipado na Madeira, quando em 1931 o povo se levantou contra a miséria das condições de vida, contra os monopólios e contra a ditadura. O Abril de 74 permanece adiado, quando a cultura do medo e da intimidação ainda hoje condicionam a Liberdade.
Em abril assinalámos revoltas pela Liberdade e pela Democracia. A revolta da Madeira fez o povo sair a rua em luta por melhores condições de vida e contra o monopólio da farinha que encareceu o custo do pão. A revolta foi esmagada pela ditadura de Salazar e muitos dos que a apoiaram e beneficiaram de privilégios à sombra da ditadura arvoraram-se depois em herdeiros da revolta, em grandes autonomistas e defensores do povo.
O 25 de abril trouxe finalmente a Liberdade e a Democracia. A Autonomia foi no entanto sequestrada pelos protegidos de Salazar, pelos detentores dos monopólios, receosos de perderem os seus privilégios perante a perspetiva de se estabelecer um poder popular em Lisboa. Subitamente os fieis da ditadura centralista, que elogiavam a agressão colonial contra os povos africanos viraram separatistas e depois autonomistas, recorrendo à força das bombas para impor o seu domínio, intimidar e afastar adversários. E hoje temos um governo regional que favorece os monopólios que encarecem o custo de vida para o povo.
Entre as muitas transformações que o 25 de abril permitiu contam-se a fixação de um salário mínimo, o reconhecimento direito à greve, a liberdade sindical, a definição de horários de trabalho e mecanismos de fiscalização. Medidas de proteção de quem trabalha, pois a riqueza é fruto do trabalho, é criada pelos trabalhadores.
Mas a propaganda dominante, quer fazer-nos crer que são as empresas e os patrões que criam a riqueza (como se os trabalhadores fossem estúpidos), que as leis que protegem quem trabalha são prejudiciais à economia (como se os trabalhadores não fossem parte da economia), que a imposição de remunerações mínimas fomentam a preguiça e o desleixo e que os sindicatos são inimigos dos trabalhadores.
E em maio, que celebra o dia do trabalhador, há também o dia do empresário, onde vão os políticos dos partidos do arco dos interesses (PS, PSD e CDS) prestar vassalagem aos senhores do dinheiro, competir sobre qual se presta a lhes servir melhor os interesses e disputar os financiamentos para as campanhas eleitorais. São todos cúmplices no ataque que é feito aos direitos de quem trabalha e por isso têm vergonha de comparecer nas celebrações do dia do trabalhador.
(publicado em dnoticias.pt em 24/05/2018)
Em abril assinalámos revoltas pela Liberdade e pela Democracia. A revolta da Madeira fez o povo sair a rua em luta por melhores condições de vida e contra o monopólio da farinha que encareceu o custo do pão. A revolta foi esmagada pela ditadura de Salazar e muitos dos que a apoiaram e beneficiaram de privilégios à sombra da ditadura arvoraram-se depois em herdeiros da revolta, em grandes autonomistas e defensores do povo.
O 25 de abril trouxe finalmente a Liberdade e a Democracia. A Autonomia foi no entanto sequestrada pelos protegidos de Salazar, pelos detentores dos monopólios, receosos de perderem os seus privilégios perante a perspetiva de se estabelecer um poder popular em Lisboa. Subitamente os fieis da ditadura centralista, que elogiavam a agressão colonial contra os povos africanos viraram separatistas e depois autonomistas, recorrendo à força das bombas para impor o seu domínio, intimidar e afastar adversários. E hoje temos um governo regional que favorece os monopólios que encarecem o custo de vida para o povo.
Entre as muitas transformações que o 25 de abril permitiu contam-se a fixação de um salário mínimo, o reconhecimento direito à greve, a liberdade sindical, a definição de horários de trabalho e mecanismos de fiscalização. Medidas de proteção de quem trabalha, pois a riqueza é fruto do trabalho, é criada pelos trabalhadores.
Mas a propaganda dominante, quer fazer-nos crer que são as empresas e os patrões que criam a riqueza (como se os trabalhadores fossem estúpidos), que as leis que protegem quem trabalha são prejudiciais à economia (como se os trabalhadores não fossem parte da economia), que a imposição de remunerações mínimas fomentam a preguiça e o desleixo e que os sindicatos são inimigos dos trabalhadores.
E em maio, que celebra o dia do trabalhador, há também o dia do empresário, onde vão os políticos dos partidos do arco dos interesses (PS, PSD e CDS) prestar vassalagem aos senhores do dinheiro, competir sobre qual se presta a lhes servir melhor os interesses e disputar os financiamentos para as campanhas eleitorais. São todos cúmplices no ataque que é feito aos direitos de quem trabalha e por isso têm vergonha de comparecer nas celebrações do dia do trabalhador.
(publicado em dnoticias.pt em 24/05/2018)
2018-03-24
Autonomia
Autonomia é a capacidade de resolvermos os nossos próprios problemas. Não é isso que vemos o governo regional do PSD fazer, pelo contrário, empurra os problemas para Lisboa.
Problemas criados pelo próprio PSD, a começar pela dívida da Madeira, a bancarrota e o empréstimo do Estado negociado entre governos PSD na República e na Região em condições gravosas
O subsídio de mobilidade, desenhado para favorecer as companhias aéreas, em particular a TAP que domina as rotas Madeira-continente e as agências de viagens cujas comissões são pagas pelo estado e sem limite, que prejudica os passageiros pelos preços altos e afasta a concorrência - se os preços no fim são iguais para o passageiro, que diferença faz viajar numa companhia ou noutra?
O novo hospital. Entre 2001 e o presente, a Madeira gastou verbas suficientes para dezenas de hospitais, não fez nenhum, foi a escolha do PSD. Foram milhões deitados ao mar, muitos mais enterrados em obras feitas à pressa, para serem inauguradas antes das eleições.
Os incêndios e os aluviões são naturais, mas a dimensão das consequências são resultado da má governação, das escolhas passadas relativas ao ordenamento do espaço urbano e florestal.
Apontar as responsabilidades ao PSD não nos trás um hospital, não faz baixar os juros, nem melhora a mobilidade aérea, é certo que não. Mas branquear responsabilidades também nada resolve. E é isso apenas o que pretendem o desGoverno Regional e o PSD: atirar as culpas para Lisboa e branquear o passado.
Se o PSD quisesse o hospital e não apenas alimentar a guerrilha com Lisboa, investia mais na saúde, contratava os enfermeiros e auxiliares que faltam; avançava com as expropriações em vez de anunciar museus, pistas de atletismo ou deitar dinheiro nas ribeiras destruindo pontes e muralhas históricas.
Se quisesse melhorar a mobilidade não escorraçava o Armas e aceitava o repto do ministro de gerir o subsídio no plano regional - autonomia é a capacidade de decidir mas implica assumir as consequências das escolhas.
Se estivesse preocupado em prevenir os desastres naturais, investia na reflorestação das serras, na criação de um corpo de sapadores florestais, na correção dos erros urbanísticos - construções na orla costeira e nos leitos de cheias das ribeiras.
O desrespeito pela Natureza paga-se caro, mas esta não tem culpa, a culpa é da incúria dos governantes. Branquear o passado é premiar a irresponsabilidade e garantir a continuação da má governação, persistir no erro é uma escolha.
(publicado em dnoticias.pt em 23/03/2018)
Problemas criados pelo próprio PSD, a começar pela dívida da Madeira, a bancarrota e o empréstimo do Estado negociado entre governos PSD na República e na Região em condições gravosas
O subsídio de mobilidade, desenhado para favorecer as companhias aéreas, em particular a TAP que domina as rotas Madeira-continente e as agências de viagens cujas comissões são pagas pelo estado e sem limite, que prejudica os passageiros pelos preços altos e afasta a concorrência - se os preços no fim são iguais para o passageiro, que diferença faz viajar numa companhia ou noutra?
O novo hospital. Entre 2001 e o presente, a Madeira gastou verbas suficientes para dezenas de hospitais, não fez nenhum, foi a escolha do PSD. Foram milhões deitados ao mar, muitos mais enterrados em obras feitas à pressa, para serem inauguradas antes das eleições.
Os incêndios e os aluviões são naturais, mas a dimensão das consequências são resultado da má governação, das escolhas passadas relativas ao ordenamento do espaço urbano e florestal.
Apontar as responsabilidades ao PSD não nos trás um hospital, não faz baixar os juros, nem melhora a mobilidade aérea, é certo que não. Mas branquear responsabilidades também nada resolve. E é isso apenas o que pretendem o desGoverno Regional e o PSD: atirar as culpas para Lisboa e branquear o passado.
Se o PSD quisesse o hospital e não apenas alimentar a guerrilha com Lisboa, investia mais na saúde, contratava os enfermeiros e auxiliares que faltam; avançava com as expropriações em vez de anunciar museus, pistas de atletismo ou deitar dinheiro nas ribeiras destruindo pontes e muralhas históricas.
Se quisesse melhorar a mobilidade não escorraçava o Armas e aceitava o repto do ministro de gerir o subsídio no plano regional - autonomia é a capacidade de decidir mas implica assumir as consequências das escolhas.
Se estivesse preocupado em prevenir os desastres naturais, investia na reflorestação das serras, na criação de um corpo de sapadores florestais, na correção dos erros urbanísticos - construções na orla costeira e nos leitos de cheias das ribeiras.
O desrespeito pela Natureza paga-se caro, mas esta não tem culpa, a culpa é da incúria dos governantes. Branquear o passado é premiar a irresponsabilidade e garantir a continuação da má governação, persistir no erro é uma escolha.
(publicado em dnoticias.pt em 23/03/2018)
2018-02-16
E agora BE-Madeira?
O Bloco não soube ou não quis aproveitar os bons resultados de 2015 para reforçar a sua atuação a favor de quem trabalha - que é a sua missão. Fechou-se numa lógica da preservação do poder interno, como se fossem demasiados votos para a camioneta.
A transição da liderança de Paulo Martins, em 2008, deu-se num contexto de guerrilha contra a sua família, acusada de monopolizar o BE. Os novos dirigentes quiseram afastar a “velha guarda” da UDP, tida como um obstáculo. A estratégia levada até às regionais de 2011, resultou no desastre eleitoral, o pior resultado de sempre. Fora do parlamento, veio um tempo difícil com sacrifícios de muitos, mas não de quem foi pago para se dedicar ao partido a tempo inteiro.
Em 2015 a estratégia foi a oposta, aberta a contributos de todos os militantes, com vários porta-vozes. O coletivo funcionou e deu bom resultado, um grupo parlamentar e deu ânimo ao partido que registava desaires desde 2009.
Nas legislativas o BE foi terceiro, elegeu um deputado da República e quase triplicou a votação das regionais. O BE teve na campanha um rosto e um porta-voz, que não foi o do coordenador regional - cujo maior contributo terá sido mesmo a discrição. A mudança desta vez funcionou, deu o melhor resultado de sempre.
Um partido é um coletivo de gente unida em torno de uma missão e em cada momento indica um rosto que o representa. Esse rosto tem de ser credível e inspirar confiança ou não merecerá o voto do povo. Há que respeitar o coletivo e não usá-lo só para diluir responsabilidades e para ratificar decisões consumadas. Há a responsabilidade coletiva, que não apaga a individual.
Com estes bons resultados, o partido deveria ter feito mais: criar núcleos locais, maior presença junto das pessoas, cativar novos militantes, quadros qualificados que são a marca do BE, reforçar a sua credibilidade, mostrar mais caras nas iniciativas políticas e no parlamento com a rotatividade, exigir maior representação na coligação no Funchal. Assim se constrói um coletivo forte. Quem não deixou acontecer, para proteger o seu lugar, não é credível para o fazer agora.
Um rumo claro. A dívida, o desemprego, a pobreza ou a falta dum hospital na Madeira, resultam do mau governo, das más opções, das obras inúteis, da corrupção. Os responsáveis estão na Região, não em Lisboa. Um poder que diz defender a Madeira, mas na verdade defende os parasitas, os senhorios. Combater este mau governo significa desmontar as teses de que a esquerda não é autonomista, mostrar uma prática política de abertura, transparência, sem tiques da prepotência, sem eternizar-se nos lugares, nem fantasias de inimigos externos que são só truques para branquear as responsabilidades de quem governa há 40 anos.
Um coletivo forte, um rosto credível e um rumo claro, tudo o que é preciso, está ao nosso alcance, haja vontade!
A escolha é simples para os bloquistas da Madeira: continuar na via que já conduziu ao desastre; ou seguir um caminho diferente que já se revelou capaz de conquistas antes impensáveis.
(publicado em dnoticias.pt em 13/02/2018)
A transição da liderança de Paulo Martins, em 2008, deu-se num contexto de guerrilha contra a sua família, acusada de monopolizar o BE. Os novos dirigentes quiseram afastar a “velha guarda” da UDP, tida como um obstáculo. A estratégia levada até às regionais de 2011, resultou no desastre eleitoral, o pior resultado de sempre. Fora do parlamento, veio um tempo difícil com sacrifícios de muitos, mas não de quem foi pago para se dedicar ao partido a tempo inteiro.
Em 2015 a estratégia foi a oposta, aberta a contributos de todos os militantes, com vários porta-vozes. O coletivo funcionou e deu bom resultado, um grupo parlamentar e deu ânimo ao partido que registava desaires desde 2009.
Nas legislativas o BE foi terceiro, elegeu um deputado da República e quase triplicou a votação das regionais. O BE teve na campanha um rosto e um porta-voz, que não foi o do coordenador regional - cujo maior contributo terá sido mesmo a discrição. A mudança desta vez funcionou, deu o melhor resultado de sempre.
Um partido é um coletivo de gente unida em torno de uma missão e em cada momento indica um rosto que o representa. Esse rosto tem de ser credível e inspirar confiança ou não merecerá o voto do povo. Há que respeitar o coletivo e não usá-lo só para diluir responsabilidades e para ratificar decisões consumadas. Há a responsabilidade coletiva, que não apaga a individual.
Com estes bons resultados, o partido deveria ter feito mais: criar núcleos locais, maior presença junto das pessoas, cativar novos militantes, quadros qualificados que são a marca do BE, reforçar a sua credibilidade, mostrar mais caras nas iniciativas políticas e no parlamento com a rotatividade, exigir maior representação na coligação no Funchal. Assim se constrói um coletivo forte. Quem não deixou acontecer, para proteger o seu lugar, não é credível para o fazer agora.
Um rumo claro. A dívida, o desemprego, a pobreza ou a falta dum hospital na Madeira, resultam do mau governo, das más opções, das obras inúteis, da corrupção. Os responsáveis estão na Região, não em Lisboa. Um poder que diz defender a Madeira, mas na verdade defende os parasitas, os senhorios. Combater este mau governo significa desmontar as teses de que a esquerda não é autonomista, mostrar uma prática política de abertura, transparência, sem tiques da prepotência, sem eternizar-se nos lugares, nem fantasias de inimigos externos que são só truques para branquear as responsabilidades de quem governa há 40 anos.
Um coletivo forte, um rosto credível e um rumo claro, tudo o que é preciso, está ao nosso alcance, haja vontade!
A escolha é simples para os bloquistas da Madeira: continuar na via que já conduziu ao desastre; ou seguir um caminho diferente que já se revelou capaz de conquistas antes impensáveis.
(publicado em dnoticias.pt em 13/02/2018)
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