O subsídio de mobilidade na versão atual foi criado pelos governos de Albuquerque e Passos Coelho em 2015 e na altura foi anunciado como o melhor do mundo. Mas os efeitos negativos não tardaram, os preços desataram a subir até bater e furar o teto dos 400 €, reservar viagem tornou-se um fadário. O PSD deixou de se vangloriar e passou a queixar-se de Lisboa – é o que sabe fazer melhor.
Entramos no jogo do empurra, do passa culpas: o Governo Regional acusa Lisboa de não querer mudar as regras; o Governo de Lisboa devolve as culpas para a Madeira, os anos passam e nada se resolve. Não há vontade! Ambos os governos colocam os jogo eleitoral acima do resolução dos problemas. Ao PSD convém ter motivos de queixa face a Lisboa, por isso não aceita as propostas que os ministros apresentam, nem apresenta da sua parte uma proposta razoável; Ao PS interessa adiar uma solução efetiva para perto das eleições e entretanto acusando o PSD pela autoria do atual modelo falhado. Ambos vão entretendo o povo com este jogo.
PS e PSD estão de acordo com a liberalização das ligações aéreas para a Madeira e com a privatização da TAP (o PS fez só um simulacro de desprivatização). Ambos estão de acordo com a necessidade de ajudar os lucros do acionista privado da TAP através do subsídio de mobilidade, estão de acordo no essencial, a disputa é só para ver quem pode exibir o trunfo de ter mudado as regras do subsídio, ambos vão clamar “agora é que vai ser” e “fui eu, fui eu...”.
alterações só muito perto das eleições, para não dar tempo de sentir-mos a diferença, não vá o povo reparar que foi mais uma vez enganado.
A liberalização foi escolha regional feita em 2008, mas falhou. A concorrência nunca chegou e o subsídio desde 2015 anula as diferenças de preço entre as companhias, não há escolha para o passageiro, pois após o reembolso o custo é igual – é um modelo que protege a TAP e os seus lucros.
O Estado suportava um encargo anual de perto de 14 milhões com as ligações à Madeira, esse custo desceu para cerca de 8 milhões até 2015, quando o subsídio era de no máximo 60€ por viagem. Com o atual regime, o custo não para de subir e terá ultrapassado os 40 milhões em 2018.
O Estado decidiu dar mais dinheiro à TAP depois de privada que quando era pública. O PS e o PSD estão confortáveis com esta situação, por isso nada muda ou muda a cosmética só para ficar tudo na mesma.
Sem enxergar o problema não se encontra a solução. O mal está na liberalização e a solução só pode ser o regresso ao regime de serviço público, que não é mais caro nem mais barato. Se 86 euros é o custo justo a suportar pelos residentes, se voltarmos ao serviço público será uma decisão política manter ou alterar esse custo.
(publicado em dnoticias.pt em 31/01/2019)
2019-01-31
2019-01-02
2019 – recuperar o futuro roubado
Que 2019 nos devolva a esperança no futuro, que foi roubado aos madeirenses, pela ganância de poder de uns poucos
O sonho da minha mãe era que os filhos estudassem e tivessem uma vida melhor que a sua. No seu tempo a quarta classe bastava para ter um trabalho respeitável, ela ficou pela terceira... nem lhe valeram os elogios da professora junto do meu avô, que tinha cabeça e poderia ser regente e depois professora. Nasceu aí a sua determinação: “eu não estudei, mas os meus filhos hão-de estudar”. Obrigado mãe!
O avô da minha mãe era um dos poucos homens que sabia ler e escrever, corria o Porto da Cruz de ponta a ponta a tratar de cartas e de outros documentos, mas criou os filhos analfabetos.
Diziam-lhe os senhores ricos que para trabalhar a terra não era preciso ler nem escrever. Aos mesmos senhores a minha mãe ouviu a indignação, a seguir ao 25 de abril: o Governo deve andar louco para dar escola à “canalha da serra”.
No meu tempo de estudante a licenciatura era garantia de carreira para a vida, hoje nem licenciatura, nem doutoramento. Quem nos roubou o futuro? Teremos “doutores” a mais?
Os jovens qualificados emigram para países (Inglaterra ou França) com maior percentagem de licenciados que Portugal. Esses países criam oportunidades para os seus jovens e para os nossos, a Madeira nem para os seus! O problema não é “doutores” a mais, é oportunidades a menos. São políticas erradas que criam ricos mas não dão futuro.
A Madeira está refém dos interesses de poucas famílias que controlam os negócios e a política e roubam-nos o futuro a todos.
Os ricos impingem-nos sempre as estórias que lhes convêm, já não dizem que não faz falta estudar, a conversa é refinada: as privatizações fazem crescer a riqueza; os privados é que criam emprego; não devemos esperar trabalho estável nem horário certo e muito menos um salário digno; o Estado deve gastar menos e baixar impostos. Balelas! O efeito de tudo isso é ricos cada vez mais ricos e o povo mais pobre!
A desgraça da nossa geração é ver os nossos filhos a viverem pior que nós, com estudos mas sem emprego, sem casa e sem poderem constituir família. Esta realidade é uma escolha de quem tém o poder porque lhes convém, mas não tem de ser assim.
Em 2019 o povo terá o poder nas mãos e pode escolher um futuro diferente com uma vida melhor para os seus filhos. Poderá escolher um Governo que governe para o bem de todos em vez de um que, ainda que pintado de cor-de-rosa, governe para os mesmos de sempre.
(publicado em dnoticias.pt em 31/12/2018)
O sonho da minha mãe era que os filhos estudassem e tivessem uma vida melhor que a sua. No seu tempo a quarta classe bastava para ter um trabalho respeitável, ela ficou pela terceira... nem lhe valeram os elogios da professora junto do meu avô, que tinha cabeça e poderia ser regente e depois professora. Nasceu aí a sua determinação: “eu não estudei, mas os meus filhos hão-de estudar”. Obrigado mãe!
O avô da minha mãe era um dos poucos homens que sabia ler e escrever, corria o Porto da Cruz de ponta a ponta a tratar de cartas e de outros documentos, mas criou os filhos analfabetos.
Diziam-lhe os senhores ricos que para trabalhar a terra não era preciso ler nem escrever. Aos mesmos senhores a minha mãe ouviu a indignação, a seguir ao 25 de abril: o Governo deve andar louco para dar escola à “canalha da serra”.
No meu tempo de estudante a licenciatura era garantia de carreira para a vida, hoje nem licenciatura, nem doutoramento. Quem nos roubou o futuro? Teremos “doutores” a mais?
Os jovens qualificados emigram para países (Inglaterra ou França) com maior percentagem de licenciados que Portugal. Esses países criam oportunidades para os seus jovens e para os nossos, a Madeira nem para os seus! O problema não é “doutores” a mais, é oportunidades a menos. São políticas erradas que criam ricos mas não dão futuro.
A Madeira está refém dos interesses de poucas famílias que controlam os negócios e a política e roubam-nos o futuro a todos.
Os ricos impingem-nos sempre as estórias que lhes convêm, já não dizem que não faz falta estudar, a conversa é refinada: as privatizações fazem crescer a riqueza; os privados é que criam emprego; não devemos esperar trabalho estável nem horário certo e muito menos um salário digno; o Estado deve gastar menos e baixar impostos. Balelas! O efeito de tudo isso é ricos cada vez mais ricos e o povo mais pobre!
A desgraça da nossa geração é ver os nossos filhos a viverem pior que nós, com estudos mas sem emprego, sem casa e sem poderem constituir família. Esta realidade é uma escolha de quem tém o poder porque lhes convém, mas não tem de ser assim.
Em 2019 o povo terá o poder nas mãos e pode escolher um futuro diferente com uma vida melhor para os seus filhos. Poderá escolher um Governo que governe para o bem de todos em vez de um que, ainda que pintado de cor-de-rosa, governe para os mesmos de sempre.
(publicado em dnoticias.pt em 31/12/2018)
2018-12-08
Ryanair - o fascínio pelo abismo
Há um fascínio entre políticos regionais pela Ryanair, como se esta fosse a solução para nossos os problemas de mobilidade aérea, nota-se uma disputa entre PS, PSD e CDS para ver quem é o maior fã.
Algumas notas sobre o seu modo de operar: prefere aeroportos menos usados e cobra às autoridades locais ou regionais ajudas para dinamizar o tráfego e o turismo nas cidades ou regiões onde se situam. Depois de se instalar faz chantagem com a possibilidade de saída para manter ou reforçar os subsídios.
Impõe aos trabalhadores contratos de trabalho pela Lei irlandesa e não pela do país onde trabalham (ou nem têm contrato), recebem o ordenado por um banco irlandês, os descontos da segurança social e do IRS vão para a Irlanda, ficam sem proteção da Lei do trabalho, da Segurança Social, no desemprego e dos serviços de saúde do país onde vivem e exercem a atividade.
Em 2016 a Ryanair pediu ajudas de 6 a 10 milhões para entrar na Madeira, propunha-se duplicar o volume de passageiros em Santa Cruz num prazo de três anos. Com as suas práticas concorrenciais agressivas ganharia posição dominante e um poder negocial imenso para sacar ajudas públicas cada vez maiores, sob a ameaça de abandonar a Região. Iria usar tal poder para esmagar os preços e margens comerciais não só nas ligações aéreas mas também nos alojamentos, no aluguer de viaturas e nas atividades conexas – serviços que também vende pela internet.
Os desafios da duplicação do tráfego são muitos e preocupantes: iria testar os limites do aeroporto e teria impactos variados no turismo que ninguém avaliou: pressão sobre o imobiliário com subida do preço da habitações; ocupação crescente da orla costeira, pressão sobre os percursos na Natureza; pressão para baixar os custos – leia-se salários – na oferta turística; massificação e risco de descaraterização da marca centenária de qualidade que carateriza o destino Madeira; perda de reputação.
Um caminho arriscado e sem retorno de dependência face a uma companhia estrangeira que já deu provas que não olha a meios... Essa proposta foi recusada e muito bem pelo então secretário Eduardo Jesus.
Apoios públicos não são merecidos por quem não paga impostos na região, não contribui para o financiamento da segurança social e da saúde públicas, eleva a precariedade laboral a novos expoentes, nem cumpre a Lei do País. A Ryanair não pode ser tratada com privilégio face às demais companhias. O impacto económico, social e ambiental tem de ser rigorosa e publicamente avaliado antes de decisões potencialmente irreversíveis serem tomadas.
(publicado em dnoticias.pt em 7/12/2018)
Algumas notas sobre o seu modo de operar: prefere aeroportos menos usados e cobra às autoridades locais ou regionais ajudas para dinamizar o tráfego e o turismo nas cidades ou regiões onde se situam. Depois de se instalar faz chantagem com a possibilidade de saída para manter ou reforçar os subsídios.
Impõe aos trabalhadores contratos de trabalho pela Lei irlandesa e não pela do país onde trabalham (ou nem têm contrato), recebem o ordenado por um banco irlandês, os descontos da segurança social e do IRS vão para a Irlanda, ficam sem proteção da Lei do trabalho, da Segurança Social, no desemprego e dos serviços de saúde do país onde vivem e exercem a atividade.
Em 2016 a Ryanair pediu ajudas de 6 a 10 milhões para entrar na Madeira, propunha-se duplicar o volume de passageiros em Santa Cruz num prazo de três anos. Com as suas práticas concorrenciais agressivas ganharia posição dominante e um poder negocial imenso para sacar ajudas públicas cada vez maiores, sob a ameaça de abandonar a Região. Iria usar tal poder para esmagar os preços e margens comerciais não só nas ligações aéreas mas também nos alojamentos, no aluguer de viaturas e nas atividades conexas – serviços que também vende pela internet.
Os desafios da duplicação do tráfego são muitos e preocupantes: iria testar os limites do aeroporto e teria impactos variados no turismo que ninguém avaliou: pressão sobre o imobiliário com subida do preço da habitações; ocupação crescente da orla costeira, pressão sobre os percursos na Natureza; pressão para baixar os custos – leia-se salários – na oferta turística; massificação e risco de descaraterização da marca centenária de qualidade que carateriza o destino Madeira; perda de reputação.
Um caminho arriscado e sem retorno de dependência face a uma companhia estrangeira que já deu provas que não olha a meios... Essa proposta foi recusada e muito bem pelo então secretário Eduardo Jesus.
Apoios públicos não são merecidos por quem não paga impostos na região, não contribui para o financiamento da segurança social e da saúde públicas, eleva a precariedade laboral a novos expoentes, nem cumpre a Lei do País. A Ryanair não pode ser tratada com privilégio face às demais companhias. O impacto económico, social e ambiental tem de ser rigorosa e publicamente avaliado antes de decisões potencialmente irreversíveis serem tomadas.
(publicado em dnoticias.pt em 7/12/2018)
2018-10-31
O setor público vive à custa do privado?
Diz que o Estado vive à custa do setor privado que o setor público não cria riqueza. Vejamos alguns exemplos concretos a ver se esta ideia resiste.
A educação e a saúde, setores mais importantes da atuação do Estado, mas que existem no privado. Será que um professor no privado cria mais riqueza que outro numa escola pública? Um médico ou um enfermeiro numa clínica privada geram mais valor que num hospital público? Não há nenhuma razão para pensar que o privado tem vantagem.
Os CTT foram uma empresa pública lucrativa. Depois de privatizada passou a criar mais riqueza ou emprego? Pelo contrário, os CTT encerraram balcões, despediram centenas de trabalhadores a qualidade dos serviços prestados vai de mal a pior. Onde é que os CTT criam agora mais riqueza? Distribuem cada vez mais lucros aos acionistas privados.
Com a privatização dos correios – ou dos transportes, telecomunicações, eletricidade, aeroportos, cantinas escolares, etc - a população em geral fica muito pior, os trabalhadores ficam sempre a perder e um grupo restrito fica a ganhar e muito! A privatização não cria mais riqueza, cria ricos, à custa da empobrecimento da maioria.
Há atividades que não devem estar nas mãos de privados sujeitas à lógica do lucro: a saúde ou a educação porque põem em causa a dignidade do ser humano; os transportes, comunicações, a eletricidade, porque não há condições para a concorrência, os investimentos são muito pesados, só o Estado os pode fazer e o risco de abuso é muito alto; a banca que pode condicionar de forma tão dramática toda a economia e tem de estar subordinada ao interesse geral.
A banca privada, que exemplo. Quando há lucros são dos privados, quando há prejuízos o Estado - todos nós - tem de acudir, para evitar males maiores.
Ainda pensa que o Estado vive à custa do privado? Mas há muitos empresários a viver à custa do Estado, os negócios com o setor público é que dão grandes lucros, as PPP’s, as concessões...
A riqueza não se resume aos lucros dos patrões, os salários de quem trabalha também são riqueza. O Estado cria riqueza igual ou melhor que o privado e distribui de forma mais justa. Sem Estado a maior parte das pessoas não teria acesso à saúde ou à educação, por ex.
Quem “vende” o mito que o Estado vive à custa do privado é quem tem interesse nas privatizações, quem recolhe os lucros – os investidores, cada vez mais ricos e poderosos. A população em geral (os trabalhadores, forçados a trabalhar mais e a ganhar menos), fica a perder, com menor qualidade dos serviços, mais sujeita a comprar gato por lebre - quanta gente já foi enganada na banca ou nas telecomunicações?
Qual é o seu lado, o dos investidores ou o de quem vive do seu trabalho?
(publicado em dnoticias.pt em 30/10/2018)
A educação e a saúde, setores mais importantes da atuação do Estado, mas que existem no privado. Será que um professor no privado cria mais riqueza que outro numa escola pública? Um médico ou um enfermeiro numa clínica privada geram mais valor que num hospital público? Não há nenhuma razão para pensar que o privado tem vantagem.
Os CTT foram uma empresa pública lucrativa. Depois de privatizada passou a criar mais riqueza ou emprego? Pelo contrário, os CTT encerraram balcões, despediram centenas de trabalhadores a qualidade dos serviços prestados vai de mal a pior. Onde é que os CTT criam agora mais riqueza? Distribuem cada vez mais lucros aos acionistas privados.
Com a privatização dos correios – ou dos transportes, telecomunicações, eletricidade, aeroportos, cantinas escolares, etc - a população em geral fica muito pior, os trabalhadores ficam sempre a perder e um grupo restrito fica a ganhar e muito! A privatização não cria mais riqueza, cria ricos, à custa da empobrecimento da maioria.
Há atividades que não devem estar nas mãos de privados sujeitas à lógica do lucro: a saúde ou a educação porque põem em causa a dignidade do ser humano; os transportes, comunicações, a eletricidade, porque não há condições para a concorrência, os investimentos são muito pesados, só o Estado os pode fazer e o risco de abuso é muito alto; a banca que pode condicionar de forma tão dramática toda a economia e tem de estar subordinada ao interesse geral.
A banca privada, que exemplo. Quando há lucros são dos privados, quando há prejuízos o Estado - todos nós - tem de acudir, para evitar males maiores.
Ainda pensa que o Estado vive à custa do privado? Mas há muitos empresários a viver à custa do Estado, os negócios com o setor público é que dão grandes lucros, as PPP’s, as concessões...
A riqueza não se resume aos lucros dos patrões, os salários de quem trabalha também são riqueza. O Estado cria riqueza igual ou melhor que o privado e distribui de forma mais justa. Sem Estado a maior parte das pessoas não teria acesso à saúde ou à educação, por ex.
Quem “vende” o mito que o Estado vive à custa do privado é quem tem interesse nas privatizações, quem recolhe os lucros – os investidores, cada vez mais ricos e poderosos. A população em geral (os trabalhadores, forçados a trabalhar mais e a ganhar menos), fica a perder, com menor qualidade dos serviços, mais sujeita a comprar gato por lebre - quanta gente já foi enganada na banca ou nas telecomunicações?
Qual é o seu lado, o dos investidores ou o de quem vive do seu trabalho?
(publicado em dnoticias.pt em 30/10/2018)
2018-09-30
Melhor Madeira para todos
A Madeira é reconhecida pela qualidade de vida que oferece, em especial nos aspetos ambientais: temperaturas amenas, paisagens arrebatadoras, a Natureza esplendorosa. Mas a qualidade de vida faz-se de muito outros fatores, a existência e a qualidade do emprego, as condições das habitações, o custo dos transportes, a disponibilidade de serviços de saúde e educação. E se o Sol ainda nasce para todos, nos demais aspetos há diferenças inaceitáveis na qualidade de vida entre os madeirenses.
O desenvolvimento tão apregoado dos últimos anos serviu para melhorar as perspetivas de futuro dos madeirenses? As vias rápidas e os túneis estão aí para serem usados, mas não dão sustento a ninguém e para quem tem de emigrar, são de pouco consolo.
Há cada vez menos crianças – desde 2012 perderam-se 7.000 alunos – sinal claro das poucas perspetivas de futuro que a Madeira dá aos seus filhos e que as políticas seguidas nos últimos anos foram erradas. Não há empregos, os poucos que há são de fracos, mal pagos, não permitem pagar uma casa, muito menos constituir família.
O PSD insiste nas velhas políticas: obras públicas de utilidade discutível, que alimentam a fortuna dos donos da Madeira e cavam nova dívida para o povo pagar. Privilégios renovados aos empresários de sempre, nos portos e ligações marítimas ou na Zona Franca, pobreza e desemprego para a maioria.
O objetivo da Política, da governação, deveria ser melhorar as condições de vida – a felicidade - para todas as pessoas e não só para algumas. Os países que apresentam maiores índices de felicidade são os que têm menor desigualdade na distribuição da riqueza e melhores serviços públicos, como a saúde, a educação, ou os transportes. O clima não é um fator determinante, os países do norte da Europa até têm clima pouco convidativo.
Os países mais pobres do mundo, por seu lado, são os mais desiguais, com uma elite milionária e poderosa e a maioria condenada à miséria.
São as escolhas coletivas que fazemos que determinam a nossa qualidade de vida. É a forma como nos organizamos em sociedade, que determina a capacidade de nos realizarmos nos planos profissional e pessoal, de sermos felizes.
Cabe-nos decidir que tipo de sociedade queremos: ou uma menos desigual, com saúde, educação e riqueza para todos; ou uma em que alguns concentram a riqueza e o poder e a maioria é fica condenada à pobreza e à emigração.
(publicado em dnoticias.pt em 29/09/2018)
O desenvolvimento tão apregoado dos últimos anos serviu para melhorar as perspetivas de futuro dos madeirenses? As vias rápidas e os túneis estão aí para serem usados, mas não dão sustento a ninguém e para quem tem de emigrar, são de pouco consolo.
Há cada vez menos crianças – desde 2012 perderam-se 7.000 alunos – sinal claro das poucas perspetivas de futuro que a Madeira dá aos seus filhos e que as políticas seguidas nos últimos anos foram erradas. Não há empregos, os poucos que há são de fracos, mal pagos, não permitem pagar uma casa, muito menos constituir família.
O PSD insiste nas velhas políticas: obras públicas de utilidade discutível, que alimentam a fortuna dos donos da Madeira e cavam nova dívida para o povo pagar. Privilégios renovados aos empresários de sempre, nos portos e ligações marítimas ou na Zona Franca, pobreza e desemprego para a maioria.
O objetivo da Política, da governação, deveria ser melhorar as condições de vida – a felicidade - para todas as pessoas e não só para algumas. Os países que apresentam maiores índices de felicidade são os que têm menor desigualdade na distribuição da riqueza e melhores serviços públicos, como a saúde, a educação, ou os transportes. O clima não é um fator determinante, os países do norte da Europa até têm clima pouco convidativo.
Os países mais pobres do mundo, por seu lado, são os mais desiguais, com uma elite milionária e poderosa e a maioria condenada à miséria.
São as escolhas coletivas que fazemos que determinam a nossa qualidade de vida. É a forma como nos organizamos em sociedade, que determina a capacidade de nos realizarmos nos planos profissional e pessoal, de sermos felizes.
Cabe-nos decidir que tipo de sociedade queremos: ou uma menos desigual, com saúde, educação e riqueza para todos; ou uma em que alguns concentram a riqueza e o poder e a maioria é fica condenada à pobreza e à emigração.
(publicado em dnoticias.pt em 29/09/2018)
2018-08-23
Desparasitar a Madeira
O estado da Região, depois de 40 anos de Autonomia e de governos PSD é de acentuada parasitose. Tudo o que mexe é controlado por uma seita de parasitas que não permite que nasça algo de novo fora do seu controlo apertado.
Um contentor de Leixões para a Madeira pode custar três vezes mais que para a China! No ferry uma carga de Portimão para o Funchal pode custar sete vezes mais que ao contrário – temos o mar inclinado. Também de avião pode custar mais vir à Madeira de Lisboa que ir à China. Mas se neste caso o Governo Regional vê prejuízos para a Região, no anterior está-se bem, é o dono da Madeira a faturar e há que respeitar o dono.
As concessões na gestão da Zona Franca, nas vias rápidas, nas inspeções automóveis, nos portos servem para alimentar interesses parasitas e carear a vida ao povo. A saúde e a educação são privatizadas aos bocadinhos: a lavandaria do hospital, as cantinas escolares, os apoios aos colégios, os exames de diagnóstico.
Na área social proliferam associações e IPSS para dar emprego a ex-governantes, consomem recursos públicos quanto ao combate à pobreza fica-se pelas intenções.
Não chegamos a esta situação por acaso, Jardim assumiu que quis criar uma burguesia mais esclarecida, uma nova classe de ricos que o ajudassem a manter o poder, não foi ingénuo nem distraído, foi o mentor, a cabeça do polvo. Através de empreitadas e concessões fez crescer os novos ricos na dependência do poder laranja, mas estes cresceram tanto que já não dependem de quem os criou e sentem-se livres para escolher quem melhor os pode alimentar no futuro.
O PSD acusa a “dor de corno”, ao ver os grupos que alimentou apostarem agora noutro “cavalo”. Poderia servir de lição, mas o deslumbramento pelo poder de quem por ele anseia há dezenas de anos faz-se acompanhar de cegueira. Para quem se apresenta como a alternativa, o interesse dos poderosos conta mais que o bem geral, é assim quando conta o poder pelo poder e não o bem comum.
Os ricos querem tudo, o povo apenas quer sobreviver. Na Madeira o povo para poder sobreviver na sua terra, para escapar à sina da emigração tem de livrar-se desta praga de parasitas e o Bloco de Esquerda é o melhor cura para a maleita, para defender o interesse público sem transigir e combater os parasitas.
(publicado em dnoticias.pt em 22/08/2018)
Um contentor de Leixões para a Madeira pode custar três vezes mais que para a China! No ferry uma carga de Portimão para o Funchal pode custar sete vezes mais que ao contrário – temos o mar inclinado. Também de avião pode custar mais vir à Madeira de Lisboa que ir à China. Mas se neste caso o Governo Regional vê prejuízos para a Região, no anterior está-se bem, é o dono da Madeira a faturar e há que respeitar o dono.
As concessões na gestão da Zona Franca, nas vias rápidas, nas inspeções automóveis, nos portos servem para alimentar interesses parasitas e carear a vida ao povo. A saúde e a educação são privatizadas aos bocadinhos: a lavandaria do hospital, as cantinas escolares, os apoios aos colégios, os exames de diagnóstico.
Na área social proliferam associações e IPSS para dar emprego a ex-governantes, consomem recursos públicos quanto ao combate à pobreza fica-se pelas intenções.
Não chegamos a esta situação por acaso, Jardim assumiu que quis criar uma burguesia mais esclarecida, uma nova classe de ricos que o ajudassem a manter o poder, não foi ingénuo nem distraído, foi o mentor, a cabeça do polvo. Através de empreitadas e concessões fez crescer os novos ricos na dependência do poder laranja, mas estes cresceram tanto que já não dependem de quem os criou e sentem-se livres para escolher quem melhor os pode alimentar no futuro.
O PSD acusa a “dor de corno”, ao ver os grupos que alimentou apostarem agora noutro “cavalo”. Poderia servir de lição, mas o deslumbramento pelo poder de quem por ele anseia há dezenas de anos faz-se acompanhar de cegueira. Para quem se apresenta como a alternativa, o interesse dos poderosos conta mais que o bem geral, é assim quando conta o poder pelo poder e não o bem comum.
Os ricos querem tudo, o povo apenas quer sobreviver. Na Madeira o povo para poder sobreviver na sua terra, para escapar à sina da emigração tem de livrar-se desta praga de parasitas e o Bloco de Esquerda é o melhor cura para a maleita, para defender o interesse público sem transigir e combater os parasitas.
(publicado em dnoticias.pt em 22/08/2018)
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